• 02jul

    De que serviria o ouro na mão do tolo para comprar a sabedoria, visto que não tem entendimento?

    Provérbios 17:16

    Quanto vale? Quanto pesa? À vista? Quanto? Quando? Embrulha.

    Uma vida é suficiente para acumularmos bens materiais, mas quanto tempo é necessário para acumular o que não se pode guardar? Quanto tempo leva para nos conhecermos de verdade, descobrirmos o que é a nossa essência e o que é fruto de tantas mentiras que a gente ouve, vê e muitas vezes aceita? Costumo colocar as coisas na balança para perceber se estou no caminho certo, mas a cada dia fica mais claro que o meu conhecimento é limitado demais para pesar com clareza.

    Abdico demais de mim para investir em algo em que um dia talvez me torne. E chegando lá, novamente talvez, nem me reconheça ao olhar para o espelho. O jeito será olhar Através do Espelho e torcer para que o prefácio deste pequeno e inteligente livro do Jostein Gaarder esteja equivocado:

    A alegria é uma borboleta
    Voando sobre a face da terra,
    Mas a tristeza é um pássaro
    de grandes asas negras
    Que nos erguem muito acima da vida.
    Lá embaixo, à luz do Sol, a vida flui, tudo cresce.
    O pássaro da tristeza, porém, voa bem alto,
    Lá onde velam os anjos da dor
    Sobre o covil da morte.

    Desejo ao menos que nossos espantalhos possam manter os pássaros da tristeza lá no alto, enquanto a vida segue feliz aqui no térreo. Noutro dia assisti a um filme chamado Paradise Now, que conta a história de dois jovens nascidos na Cisjordânia, quase na fronteira com Israel. A milícia local os premia: são convocados como homens-bomba. Naquela região há duas formas de participar do sistema: sendo um colaborador, que são aqueles que ajudam Israel de alguma forma, e a população os considera como traidores; e sendo homem-bomba, que matam, morrem e são considerados mártires. Estes são convencidos de que anjos os virão buscar logo após a explosão, e que serão levados ao paraíso para sentar à destra de Deus.

    Em Metade, Oswaldo Montenegro diz:

    Que essa minha vontade de ir embora
    Se transforme na calma e na paz que eu mereço
    E que essa tensão que me corrói por dentro
    Seja um dia recompensada
    Porque metade de mim é o que penso
    Mas a outra metade é um vulcão.

    Que o medo da solidão se afaste
    E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
    Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
    Que eu me lembro ter dado na infância
    Por que metade de mim é a lembrança do que fui
    A outra metade eu não sei.

    Que não seja preciso mais que uma simples alegria
    Pra me fazer aquietar o espírito
    E que o teu silêncio me fale cada vez mais
    Porque metade de mim é abrigo
    Mas a outra metade é cansaço.

    Este filme mexeu demais comigo, fiquei muito triste pois a idéia da morte de pessoas jovens é completamente contra o ciclo natural das coisas, ainda mais desta maneira. Assista, nem que seja para entender um pouco sobre algo que é tão irracional para nós.

    Paradoxalmente, é bem possível que a minha busca ao paraíso fique mais próxima quando assisto a um filme como este, que me faz pensar, refletir, sentir. Ou quando estou ao lado de pessoas que amo. Melhor ainda se puder unir os dois.

    É isso. Vou me focar para conciliar pequenos prazeres, reunir gente agradável e seguir em frente, pois queiramos ou não, a felicidade pode estar nestas borboletinhas que a gente acaba espantando sem querer.

One Response

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  • Anônimo Says:

    Rúbens,

    Desculpe amigo, mas vou publicar estas observações no Bravus.

    Vejo estes textos como “Observações de um Homem Nu”.

    Obrigado amigo. Até breve.

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