
A vida é cheia de mudanças. Às vezes elas são dolorosas, outras vezes são lindas e, na maioria das vezes, ambas as coisas.
Lana Lang
Charles Darwin, em sua Teoria da Evolução, mostra que os seres evoluem por seleção natural, e não por mutação como previamente se pensava. Como citado numa época literária, o diferencial é comer e comer. As características individuais que facilitam a busca do alimento e da reprodução serão aquelas que prevalecerão no decorrer de um período. Resumindo: as mudanças nos padrões permitem a sobrevivência.
Em Julho deste ano, meu sobrinho Vitri foi ao Aquário de São Paulo ( www.aquariodesaopaulo.com.br ), um lugar fantástico que além de peixes tradicionais e exóticos, dispõe de uma mostra sobre dinossauros e outros animais extintos ou não. Lá ele viu um cartaz que dizia: você está olhando para o maior predador deste planeta. Aos 7 anos de vida, no ápice da curiosidade, procurou pelo tiranossauro ou pelo leão, ou ainda o tubarão. Quando olhou acima do cartaz, percebeu que havia um espelho, e assim descobriu qual animal estava em foco. Segundo o dicionário, predador é qualquer agente que destrói o ambiente em que atua, ou elementos dele. Destruir é mudar em algum aspecto.
O poeta Luís Vaz de Camões escreveu em seu Poema da Mudança:
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.
Muitas vezes precisamos nos destruir para seguir em frente, deixar muita coisa para trás com o intuito de fazer uma viagem mais agradável. Um ciclo se finda para abrir espaço ao novo e, metaforicamente ou não, a morte alimenta a vida. E nem sempre mudar quer dizer algo novo, pois a vida é feita de avanços e recuos.
No maravilhoso filme francês O Escafandro e a Borboleta é contada a história de Jean-Dominique Bauby, o editor da revista francesa Elle, que sofre um derrame no auge de sua vida e tem todos os movimentos do corpo paralisados ( Síndrome de Locked-in ), exceto seu olho esquerdo. Com a consciência intacta, ele se comunica com as pessoas piscando uma vez quando quer dizer “sim” e duas para dizer “não”. Uma enfermeira lê em voz alta uma espécie de alfabeto baseado nas letras mais utilizadas, e ele vai piscando sempre que “quer” tal letra. E assim são formadas palavras, frases e textos, dentre os quais:
Hoje percebo que toda a minha existência foi uma cadeia de pequenos erros.
Mulheres que não fui capaz de amar, chances que não pude aproveitar.
Momentos de felicidade que deixei escapar.
Uma carreira cujo resultado me era conhecido de antemão.
Mas que na qual fui incapaz de apostar e ser um vencedor.
Estava cego ou surdo?
Ou precisava de uma desgraça para ver meu verdadeiro ser?
Por meio deste alfabeto, Jean-Do conseguiu escrever o livro que depois deu origem a este belo filme, que possui o mesmo nome. Uma semana depois da publicação, ele morreu.
Quantas pessoas poderiam ter escrito este texto? Você? Eu? Com certeza muita gente. A maioria precisa de um choque muito grande para mudar e perceber o valor real da vida, da família, dos amigos, do amor. Perceber que estamos mortos sem morrer, embriagados por um corre-corre que nos consome e não nos consuma. Precisamos de muita coragem para mudar e encontrar a estrada certa, pois esta coragem para mudar é o que pode tornar todo o resto possível.

3 Responses
outubro 9th, 2008 at 21:56
A arte de transformar. Adaptar. Evoluir.
E assim, seguimos…
Adorei teu blog!
Abs,
Aline
outubro 20th, 2008 at 12:25
E aí, quando sai o próximo post hein?
Quem tem blog, tem que atualizar sempre..srrsrs
Bjos
outubro 20th, 2008 at 13:25
Olá, Lilian.
Fico satisfeito pelas tuas visitas.
O próxima post sairá amanhã, e o tema é liberdade.
Cadastre-se e comece a escrever, você verá o quão bom isso é.
Beijos
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