• 28mai


    Quem tem imaginação, mas não tem cultura, possui asas, mas não tem pés.

    Seria isso uma afronta à tão conhecida citação de Albert Einstein? O autor da frase acima é o pensador francês Joseph Jouber, que morreu aos 70 anos sem nunca ter escrito um livro. Ainda não posso escrevê-lo, ainda não encontrei a fonte que procuro. E o caso é que se encontro essa fonte, terei mais motivos ainda para não escrever esse livro. Se todos pensassem assim, talvez a qualidade dos filmes, músicas e livros seria melhor.

    A sociedade é motivada a manter o statu quo, e a viver na mediocridade, no sentido real da palavra. Medíocre é médio, comum, ordinário. Não há pecado nisso, mas basta mergulhar um pouco para descobrir que as belezas reais se escondem atrás das cascas douradas, abaixo da superfície. O jornalista Luciano Pires tem um programa de rádio fantástico chamado Café Brasil, que é focado poeticamente na cultura, enfatizando o público a “despocotizar” o Brasil, referindo-se a um dos hinos da mediocridade “Pocotó, pocotó, pocotó”. Confira o site do moço: www.lucianopires.com.br

    Tenho dificuldade para entender a mentalidade empresarial que inibe a criatividade e não valoriza a formação cultural do seu time. Funcionários sem asas e sem pés, é isso o interessante? O conhecimento técnico/analítico é o que importa, e talvez aí que resida o medo de um dia sermos substituídos por robôs, que aliás já trabalham em muitas áreas outrora citadas no belo filme Tempos Modernos, do mágico Charles Chaplin. Ainda ele, em seu Último Discurso:

    Não vos entregueis a esses brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos. Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão. Não sois máquina! Seres humanos é que sois!

    Que coisa.

    Agora preciso partir pois as engrenagens do sistema sentem a minha falta.

    Só para complementar, a papelada do senhor Joseph Jouber, citado no início do post, foi reunida num livro chamado “The Notebooks of Joseph Joubert“, ainda sem tradução para o português.

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