Eu não tenho idade. Tenho vida. Vânia Toledo
Em 2 de Junho de 1976 vim ao mundo, hoje completo 33 anos de vida. Nasci numa noite de geada na Maternidade São Paulo. Hoje não vemos mais geadas e a maternidade também não existe mais. Após 109 anos de atividade, foi leiloada por dívidas trabalhistas e arrematada por um grupo bancário. Nela nasceram também o navegador Amyr Klink, o ex-prefeito Paulo Maluf (#!%) e o apresentador William Bonner, entre outros. Parece-me que esse lugar produz fama.
Não sei muito sobre eles, mas minha vida sempre foi muito boa. Tive problemas muito sérios de respiração, o que me levava ao hospital 3 vezes por semana. Minha mãe pirava com isso, pois lecionava o dia todo e precisava sair correndo da escola para me levar. O lado bom é que minha última crise foi aos 12 anos, depois de muito tempo de natação e tratamento com um remédio fortíssimo chamado Zaditen. Noutro dia, li que ele é um potente super-regulador dos receptores beta-adrenérgicos, em especial os beta-2 receptores, tornando-o aparentemente desejável quando o objetivo é perda de gordura. Será por isso que sou magrelo ainda hoje?
E digo que minha vida é boa demais pois, apesar da fase adoentada, tenho hoje um preparo físico muito bom. Poderia morar no Quênia que me adaptaria numa boa. Sem exagero.
Além dessa questão física, tive uma família do caramba! É indescritível o que recebi dos meus avós, meus tios, minha mãe, irmãos, amigos, animais. Até meus vizinhos eram legais comigo, tirando um cara que era muito chato e uma vez deu uma bica na minha barriga. Eu estava assistindo a um jogo de futebol de salão, sentado numa muretinha, de repente senti o míssel no estômago. Fiquei sem ar, pensei que fosse morrer.
Dizem que toda pessoa só pode morrer após 3 feitos: ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro. A árvore já foi, o livro está sendo escrito, mas o filho não sei quando virá. Amo crianças, demais mesmo. São verdadeiras, puras, sem filtros. Mas sei do tamanho dessa responsabilidade: enquanto não estiver pronto para ser pai, em todos os aspectos, continuarei sendo filho. Sendo assim, minha vida ainda vai longe.
Em As três experiências, a ucraniana-brasileira Clarice Lispector diz:
Escrever é alguma coisa extremamente forte, mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.
Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse à minha espera. Eu vou de encontro ao que me espera.
Talvez ela seja a mulher mais inteligente de todos os tempos, ao menos no ato de escrever. Acho incrível como a inteligência se manifesta das mais diversas formas, mas ultimamente tenho admirado muito o intelecto a favor da coragem, da mudança. Sempre tive um espírito muito crítico em relação ao modo com que as coisas funcionam, não concordo com a maioria. Mas entre não concordar e arregaçar as mangas pode haver um precipício. Enquanto alguns param com medo de cair, outros constroem pontes:
Há milhões de pessoas boas no mundo, cuja voz ainda não foi ouvida. A direção dessas pessoas ainda não está clara, e seus corajosos atos ainda não foram vistos. Esses milhões são convocados a armar-se da coragem de se pronunciar e oferecer a liderança que é necessária. A história terá de registrar que a maior tragédia desta época não foram as palavras ácidas e as ações violentas das pessoas más, e sim o assombroso silêncio e a indiferença das pessoas boas. Nossa geração terá de se arrepender não apenas pelos atos e palavras dos filhos das trevas, mas também pelo medo e apatia dos filhos da luz.
Palavras do reverendo Martin Luther King Jr. que aos 30 anos recebeu o Prêmio Nobel da Paz como ativista dos direitos humanos. Em Abril de 1968, na varanda do segundo andar do Hotel Lorraine, em Memphis, ele foi assassinado com um tiro. O quarto 306, onde passou a sua última noite, foi transformado em ponto turístico.
O citado Prêmio Nobel que ele recebeu foi criado por Alfred Nobel, químico e industrial sueco, inventor da dinamite.
O lado bom é que Clarice Lispector continua por aqui para nos esclarecer:
Mergulhe no que você não conhece. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.



5 Responses
junho 3rd, 2009 at 19:26
Não sei se sou capaz de escrever um “causo”…. but, posso lançar uma polêmica para discussão ( lá vou eu de novo!!!). Prefiro os debates…rs
“A hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim hypocrisis e do grego hupokrisis ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos.
François duc de la Rochefoucauld revelou, de maneira mordaz, a essência do comportamento hipócrita: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”. Ou seja, todo hipócrita finge emular comportamentos corretos, virtuosos, socialmente aceitos.
Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser…
Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhecem; e a subjetiva… Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos – Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!!
Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser… Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você… O que pensa disso?
Que desafio, hein?
“… Nunca sofra por não ser uma coisa ou por sê-la…” (Perto do Coração Selvagem – Clarice Lispector)
Beijos
julho 8th, 2009 at 12:45
oie rubens
adorei o texto.
haha…olha so…sobre esses 3 feitos, eu ja plantei minha árvore, 2 alias, e meu livro ta saindo. Infelizmente filhos eu nao vou poder ter, mas isso nao tem problema, deve existir alguma coisa que substitua.
Bjos
julho 8th, 2009 at 13:51
Olá, Priscila.
Oliveira? Minha família é “Rizzo de Oliveira”, somos parentes?
Fico feliz pela tua árvore, noutro dia assisti a uma reportagem sobre um taxista que calcula quanto o carro dele polui, e planta árvores na mesma proporção. Achei demais.
Sobre o que é o teu livro?
Existirá algo que substitua um filho? Algumas pessoas tratam os sobrinhos como filhos, outras tratam filhos de amigos como tal. E alguns pais tratam os filhos como estranhos, então creio que consanguinidade nem sempre seja “o fator”.
Beijos
julho 15th, 2009 at 23:08
Rubens – O contador de histórias
Linda forma de contar histórias, principalmente a sua.
Bjos
julho 21st, 2009 at 19:22
Querido:
Bela forma de apresentar o Manoel! O vi através de sua fala e senti sua expressividade artística…era assim mesmo. Que bom que pudemos tê-lo como membro de nossa família.
Bjs.