• 17abr

    Se você der o seu coração a um cão, ele lhe dará o dele – é realmente muito simples. Mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não. John Grogan

    Na semana passada fui ao Pico do Jaraguá com o meu tio Léo e o meu amigo Dario, um passeio muito agradável. Para quem não conhece, fica próximo à Rodovia Anhanguera e é o ponto mais alto da cidade de São Paulo: 1.135 metros. Quando era criança, fui para lá muitas vezes de bicicleta, ou mesmo a pé – as crianças sabem o que é bom. O lugar é muito bonito, na base fica o Parque Nacional do Jaraguá, onde há uma lagoa, muito verde e animais silvestres.

    Há alguns mirantes de onde a vida é mostrada em 360º e isso dá uma idéia da nossa pequenês. É incrível como somos minúsculos para o mundo e tão grandes para algumas pessoas. A minha avó, por exemplo, dizia: Rubens, se você morrer, eu morro também. Até hoje os meus tios me chamam de “muito lindo da vovó”, então já viu.

    Lá no alto do pico o vento sussurra e a solidão grita,  estar cercado por mais de 15 milhões de pessoas me dá uma sensação de insignificância – mesmo sabendo que não sou insignificante para a minha avó. Que fração desse povo vou encontrar um dia, dizer um olá, trocar experiências ou ao menos trocar um olhar? Acho isso meio enlouquecedor.

    Por outro lado, o contato que tive com o verde e com os animais foi algo saudável demais, uma coisa que me tirou um pouco das cercas da metrópole. Os bichos são completamente puros, é bonito de ver um coração sem ódio, ganância, raiva e todas essas porcarias tão comuns às pessoas. O meu tio Léo morou numa casa próxima à Lagoa da Conceição, em Florianópolis, e disse que sempre via e alimentava macacos. Segundo ele: Entregar uma banana para um macaco era uma coisa emocionante. Perceber aquele animal com unhas e dentes afiados e pegando a banana com o maior cuidado para não te ferir. É a proximidade com a raiz da evolução, o inconsciente querendo te dizer algo, e só é possível ouvir quando se está calado.

    Nascido no País de Gales, o poeta George Herbert disse: Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que o teu silêncio. Há momentos onde o importante é silenciar, ouvir o exterior. E há aqueles onde é preciso demais ouvir o silêncio. Costumo tentar ouvir o que um animal me diz com o olhar, com os trejeitos, acho engraçado de tão tocante. É preciso muita sensibilidade para diferenciar qual é o momento ideal para ouvir ou dizer o quê. Afinal a gente fala tanta besteira, não é?

    Num trecho de “O guardador de rebanhos“, Fernando Pessoa diz:

    Só a natureza é divina, e ela não é divina…

    Se às vezes falo dela como de um ente
    É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens
    Que dá personalidade às coisas,
    E impõe nomes às coisas.

    Mas as coisas não têm nome nem personalidade:
    Existem, e o céu é grande e a terra larga,
    E o nosso coração do tamanho de um punho fechado…

    Bendito seja eu por tudo quanto não sei.
    É isso tudo que verdadeiramente sou.
    Gozo tudo isso como quem está aqui ao sol.

    Por acaso, uma vez ouvi uma música chamada Island in the Sun e foi assim que conheci a banda Weezer. O video clip tem tudo a ver com natureza, bichos, sol, paz:

    É nessa hora que tenho quase certeza da necessidade de férias…

One Response

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  • Larissa Says:

    “Muito lindo da vovó”, já estive no Pico do Jaraguá. Muito bonito lá! Não senti solidão, mas, coincidentemente, fiquei pensando no quanto sou pequena.
    Bjs

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