• 16jul

    Sentimos saudade de certos momentos da nossa vida e de certos momentos de pessoas que passaram por ela. Carlos Drummond de Andrade

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    Ele lia muito. Desde jornais esportivos até clássicos da literatura.

    Era fanático por futebol, não perdia um jogo pela TV ou pelo rádio. Dizia que ia ao estádio quando o Corinthians fosse jogar com um time pequeno, mas acabava nunca indo.

    A época do Tiro de Guerra em Bebedouro foi marcante, quando fez grandes amigos e se divertiu demais.

    Tinha dificuldade para tomar decisões.

    Adorava morar nos Jardins.

    Ficou com o mesmo carro por mais de 20 anos, até que o motor pegou fogo. Dizia que não se faziam mais carros com antigamente, aquela conversa.

    Contava a história do professor que chegou na sala de aula e viu um punhado de grama sobre sua mesa, então se virou para os alunos e disse:
    Alguém esqueceu o lanche aqui!

    Fazia palavras cruzadas usando um óculos de mulher.

    Sempre ficava em dúvida se não havia deixado as portas destrancadas: do carro ou de casa.

    Era inteligente num nível tão elevado que conseguia não brigar com ninguém.

    Guardar rancor de alguém então, nunca na vida.

    Não ouvia as recomendações dos médicos de jeito nenhum pois tinha uma queda para comer coisas que lhe faziam mal.

    Jogou vôlei e basquete profissionalmente quando jovem. Tinha 1,90m de altura, o que na época era raro demais.

    Católico, sempre ia à missa e gostava da igreja de São Judas, no Jabaquara. Uma vez fomos para Aparecida do Norte juntos, algo que o deixou muito feliz.

    Apesar do dom artístico para pintura e música, não tinha habilidades manuais para consertar as coisas.

    Vivia contando que era bonitão e dava trabalho para as meninas quando jovem – as fotos comprovavam a primeira afirmação.

    Hoje faz 1 ano que ele morreu. Já estava com o corpo muito fraquinho, pensando nisso sugeri para a lápide um versículo escrito por Isaías: “os que esperam no Senhor renovarão as suas forças e subirão com asas como águias; correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão”.

    Meu amigo disse que meu irmão veio aqui e que estava triste demais. E quem não está?

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